INFÂNCIA#1

Publicada por Marinho em 29 - Mar - 2009

Uma infância feliz dura a vida inteira

RECREIO

Publicada por Marinho em 31 - Mar - 2009

Recreius Vulgaris numa Escola Masculina

HI-TECH 1

Publicada por Marinho em 6 - Abr - 2009

Às armas

HI-TECH 2

Publicada por Marinho em 8 - Abr -2009

Caça grossa

Vick e o Grande Rapto

Publicada por Marinho em 9 - Abr - 2009

Actividades de tempos livres

OMOMV, o Planeta Rock

Publicada por Marinho em 15 - Abr - 2009

Eu, com o casaco assertoado do casamento do meu pai, o Slowhand e su camisa blanca, os outros, pelo menos penteados iam, o Rollerando a cavalgar o bacalhau e o Violinha a olhar para cima, concentrado, a ver se ouvia algum helicóptero

Strange, o Plutão do Rock

Publicada por Marinho em 16 - Abr - 2009

O sucesso dos OMOMV, apesar de meteórico e sobretudo metafórico, deixou-nos inebriados. Afinal aquilo de ser rockstar não tinha nada que saber: um par de tintins, uma cena qualquer na mão para não coçar os tintins, uma grade de minis e duas charruas.

Mostrar mensagens com a etiqueta Lido e devido. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lido e devido. Mostrar todas as mensagens

Só um jornal credível, como este, e um escriba da qualidade do Vítor Elias, nos poderiam trazer o retrato do que está verdadeiramente implicado nas eleições do Glorioso. Não faço isto por precisar de protagonismo, nem nada. PÁ! PESSOAL! JÁ DISSE! EU SÓ CÁ VIM PARA DIZER PARA NÃO CONTAREM COMIGO! Julgam que eu sou como o outro que foi com a corda ao pescoço oferecer batatinhas aos galegos ou lá o que eram!

 

Guia para descodificar as eleições no Benfica

Por Vítor Elias

Realizadas as eleições no Irão, surgem agora as eleições no Benfica, duas realidades muito semelhantes, se pensarmos que ambos são regimes autoritários e ditatoriais. Por isso, o IP mostra um resumo sintético da situação, para elucidar o leitor.

 

Benfica
Herdeiro de um império assombroso, que espantou o mundo na distante década de 60, o actual Benfica viu-se suplantado, em importância e influência internacional, pelo pequeno FC Porto, a quem o regime encarnado não reconhece o direito à existência. A sangrenta e perdida guerra contra o Sporting apenas serviu para menorizar a importância imagedo Benfica no futebol nacional.
Rui Costa
O Mir-Hossein Moussavi do Benfica, aquele que muitos acreditam que poderá abrir o Benfica à transparência e ao futebol moderno. Conta com o apoio dos sócios moderados e dos adeptos mais jovens, e ainda com o apoio de alguns teólogos e juristas do regime, nomeadamente do mutjadi Fernando Seara, mas não deverá ter qualquer possibilidade de ser eleito para já. A médio prazo deverá ser presidente e fazer com que o Benfica volte a entrar de pleno direito no seio da comunidade internacional, nomeadamente na Champions League.
João Gabriel
Líder do Conselho do Pouco Discernimento, o Hashemi Rafsanjani do Benfica é considerado um conservador reaccionário, tendo proposto o apedrejamento de todos os que discutirem as decisões do presidente, como o exilado António Pedro Vasconcelos, sobre quem pesa uma fatwa. É um apoio importante para Luís Filipe Vieira.
Sílvio Cervan
Hojatoleslam fanático, o temido Sílvio Cervan pretende alterar as leis sagradas do Benfica, fazendo com que Luís Filipe Vieira seja considerado, não apenas um imã, mas igualmente um marja, ou seja, fonte de emulação, detentor de toda a verdade suprema.
José Veiga
O grande desejado por uma enorme franja da população benfiquista, principalmente pela mais inculta e menos urbana. Conservador fanático, desafiador do Grande Satã, muitos benfiquistas pensam que apenas com ele a nação encarnada poderá voltar a ter uma posição dominante no futebol nacional. Porém, apenas conta com o apoio, no Conselho dos Guardiões, do ayatollah Toni.
Luís Filipe Vieira
Conta com o apoio expresso do líder espiritual do Benfica e detentor da mística suprema, o venerado ayatollah Eusébio. Luís Filipe Vieira endureceu o regime encarnado, depois da queda em desgraça do histriónico Vale e Azevedo, o Reza Pahlevi do Benfica. Prometeu construir um plantel explosivo, mas é unânime entre os especialistas que isso serve apenas para ameaçar o Grande Satã (FC Porto). Conta com o apoio leal dos bassijis do jornal A Bola e dos Guardas da Revolução liderados pela hojatoleslam Maria José Morgado. Se Ahmadinejad foi o primeiro presidente iraniano a não ser mullah, Luís Filipe Vieira foi o primeiro presidente do Benfica que é sócio do FC Porto. Tem a reeleição assegurada.

image

Vvento Vveerde

Publicada por Marinho On 21.6.09 0 comentários

 Com a devida vénia ao Jornal do Pau, e para os meus amigos e familiares “esverdungados” (do Sporting e assim…), ora aqui está uma notícia interessante:

França Ciência
”As autoridades francesas leram os relatórios dos seus cientistas no que diz respeito aos aerogeradores que foram implantados pelos montes do território francês. Leram com atenção e com a maior eficiência e sem vaidades políticas demagógicas e incultas decidiram começar a retirar os aerogeradores devido ao prejuízo que provocam ao ambiente. A energia eólica prejudica a agricultura, foi uma das conclusões dos cientistas, que adiantaram que as eólicas também prejudicam o imagehabitat de muitas espécies animais que têm relação directa com o desenvolvimento agrícola e não só. Por exemplo, devido às correntes de ventos provocadas pela movimentação das pás dos aerogeradores, os ventos naturais mudam de trajectória e deixam de cumprir a sua função milenar de benefício às plantações. As abelhas, por exemplo, assustadas e afastadas das áreas onde existam aerogeradores deixam de cumprir a polinização e as flores morrem. Trata-se uma vasta gama de particularidades que foram descobertas e que prejudicam o meio ambiente e até a saúde dos residentes dessas áreas, nomeadamente a audição e o sistema nervoso.
Em França decide-se acabar com a energia eólica e optar pela melhor energia do mundo - hidráulica. Em Portugal, um primeiro-ministro armado em cientista vende ao povinho a ideia de que o futuro está na energia eólica... que tristeza!


PS - Daqui a 50 anos quem é que retira do cimo dos montes o lixo referente às centenas de aerogeradores abandonados e fora de uso? Esperemos que a nova geração de governantes termine com esta catástrofe ambiental e que opte rapidamente pela energia hidráulica. Mas atenção: não se esqueçam que terão de combater a mafia dos petróleos.”

Comments: “Bem, ainda temos aquela coisa dos painéis solares! Hã? Afinal não são solares? São eléctricos!? Ai o caroço! Então e o Gonzo a cantar debaixo de água? Hã? Ah, isso é má energia? E a minha auto-satisfação humilde e mansinha, conta para alguma coisa?” ( JS PM, Purtugal)

Imagem picada daqui

Sócrates 2.0

Publicada por Marinho On 18.6.09 2 comentários
É irresistível fazer moches a tónhós. Por isso não resisti à tentação de picar este post ao Nuno Ramos de Almeida, do Cinco Dias, e pregá-lo aqui, quiçá dando origem a um movimento e a uma empresa de organização de eventos (não há croquetes, aviso já): 5 autocarros cheios garantidos, para a Festa da Moche ao Fofinho, seguida da Barrela Ach Bruto. Vá lá, inscrevam-se e avancem datas, só para eu comunicar ao Cavaco.

Sócrates 2.0: Moche ao fofinho!

17 de Junho de 2009 por Nuno Ramos de Almeida

socrates

Ralações Internacionais

Publicada por Marinho On 16.6.09 0 comentários

Dedicado aos peritos em Ralações Internacionais que frequentam este lavabo, aqui segue, sob devida vénia,  um pontapé de ressalto do Henrique Raposo, publicado no Expresso e sacado do seu Clube das Repúblicas Mortas. E então, isto rala-vos? Faz-vos ter vontade de ir (ou de ficar)? Eu, por mim, assim, às 9 da manhã, com o córtex ainda remeloso, parece-me que um sapo com sabor a sushi, gengibre, gambas schi-schuan e chamuça ardente não é bem a mesma coisa que uns ovinhos com bacon, mas sempre é mais apetitoso que uma qualquer farinha Maizena.

Bom, enquanto penso, vou ali comer umas sopinhas de leite e já venho.

Não há "globalização". Há Ordem Liberal

A Política está antes da "Globalização"

“Globalização” é uma daquelas palavras que têm a pretensão de explicar o mundo inteiro. Quem utiliza o termo “globalização” pensa que tem a chave da humanidade nas mãos, mas, na verdade, tem uma mão cheia de nada.

Quando usamos o conceito “globalização”, estamos a criar a ilusão de que vivemos num mundo unificado pela interdependência económica e tecnológica. Este conceito cria ainda a ilusão de que a dita “globalização” é inevitável e eterna; é como se a “globalização” Moa_blog__atchim_1estivesse situada acima da vontade dos Estados. Por outras palavras, o termo “globalização” criou a ilusão de que vivemos num mundo despolitizado, no qual os indivíduos já não têm lealdades nacionais. Esta é uma ilusão perigosa. Devido a este erro de percepção, a elite ocidental não parece desperta para um dos possíveis efeitos desta crise: a “globalização” pode mesmo acabar. Ela não é inevitável ou eterna. Se a globalização acabar, teremos uma crise económica realmente dantesca, e enfrentaremos guerras que transformarão o 11 de Setembro numa nota de rodapé.

O verdadeiro nome da “globalização” é “Sociedade de Estados com Economia Aberta”. Ou, se quisermos, a “globalização” só existe, porque - a montante - uma Sociedade de Estados aceita e protege a dinâmica tecnológica e económica da “globalização”. Esta Sociedade de Estados dá pelo nome de Ordem Liberal Internacional. Ao construírem a Ordem Liberal (OMC, FMI, Banco Mundial, acordos de comércio bilateral, recusa da conquista como forma de enriquecimento, recusa de “esferas de influência”, etc.), os Estados criaram as condições políticas para o florescimento económico e tecnológico que ficou conhecido por “globalização”. Mais: por sua livre iniciativa, os Estados entram e saem da “globalização”. A China recusou a “globalização” até 1979. Hoje, Pequim é um dos pilares do comércio e da finança mundiais. A Índia e a Rússia recusaram a “globalização” até 1991. Hoje, Nova Deli e Moscovo estão dentro da “globalização”. Ao entrarem neste jogo, China, Índia e Rússia ajudaram a construir a “globalização” tal como a conhecemos em 2009, e, por isso, podem destruí-la, se voltarem a sair do jogo. Ou, num cenário alternativo, estas potências asiáticas podem permanecer no jogo, ficando a assistir à retirada proteccionista dos ocidentais.

De facto, no Ocidente e na Ásia, o nacionalismo - e não o marxismo - está de regresso. Os exemplos deste regresso aparecem todos os dias. Nos EUA, já temos o buy american. Na Europa, os partidos nacionalistas e proteccionistas marcam pontos. Em Pequim, podemos observar o triunfo do neo-confucionismo, uma ideologia que defende a “modernidade oriental”, por oposição à modernidade ocidental; esta modernidade confucionista assenta na comunidade e no respeito pelo chefe, e recusa o individualismo do Ocidente. Se os chineses recuperam o confucionismo, os russos regressam ao obscurantismo czarista. Em Moscovo, está em marcha uma ofensiva normativa neo-eslava na defesa da pureza da alma russa contra o individualismo ocidental.

Antes da I Guerra Mundial, as nações europeias usufruíram da “primeira globalização” (1850-1914), igualmente marcada pela interdependência técnica e económica da nossa “segunda globalização”. Porém, no substrato de cada nação europeia, o veneno nacionalista emergiu e rebentou na pústula de 1914-45. Hoje, o mesmo cenário está a compor-se na Ásia. A economia chinesa é essencial para indianos, japoneses e australianos, mas a tensão política entre estas democracias e a China está a crescer. As rivalidades históricas e estratégicas estão ao rubro. Isto quer dizer que os nacionalismos asiáticos podem rebentar contra o proteccionismo ocidental ou contra outros nacionalismos orientais. Uma China ressentida, por exemplo, pode tornar-se agressiva em relação ao Ocidente, ou pode projectar o seu ressentimento sobre outras potências asiáticas. Em qualquer dos casos, a Ordem Liberal está em perigo, e requer reajustes políticos urgentes.

feedtheworld2web A vantagem da nossa “globalização” sobre a “globalização” que acabou em 1914 é a seguinte: a nossa “globalização” tem uma Ordem Liberal a montante. Ou seja, em 2009, temos uma ordem política (OMC, FMI, Banco Mundial, G20, etc.) que domestica as tensões entre Estados. Em 2009, as tensões continuam presentes, mas são filtradas até atingirem um grau de civilidade. Este filtro político não existia em 1913. Nessa época, os fóruns e hábitos multilaterais eram ficção científica. Ora, seguindo esse “multilateralismo”, os ocidentais têm de reajustar a ordem liberal, isto é, devem reconhecer o declínio relativo do Ocidente, e, depois, devem agir em consonância. Por outras palavras, os ocidentais devem dar mais poder aos asiáticos na grande mesa da Ordem Liberal (ex.: o FMI não pode continuar a ser “propriedade” dos europeus). É mais fácil engolir este sapo do que engolir uma guerra entre nacionalismos asiáticos ressentidos.”

Momento Cultural

Publicada por Marinho On 5.6.09 1 comentários

Picado de um comentário de Midarte, no Blogue de Direita. É necessário amplificar.

 

“REQUERIMENTO A FERNANDA CÂNCIO ("namorada" do PM...?):

Ó Fernanda, dado que já estou cansado do ar teatral a que ele equivale em todo o horário de cada canal, no noticiário, no telejornal, ligando-se ao povo, do qual ele se afasta, gastando de novo a fala já gasta e a pôr agastado quem muito se agasta por ser enganado. Ó Fernanda, dado que é tempo de basta, que já estou cansado do excesso de carga, do excesso de banda, da banda que é larga, da gente que é branda, da frase que é ópio, do estilo que é próprio para a propaganda, da falta de estudo, do tudo que é zero, dos logros a esmo e do exagero que o nega a si mesmo, do acto que é baço, do sério que é escasso, mantendo a mentira, mantendo a vaidade, negando a verdade, que sempre enjoou, nas pedras que atira, mas sem que refira o caos que criou. Ó Fernanda, dado que já estou cansado, que falta paciência, por ter suportado em exagerado o que é aparência. Ó Fernanda, dado que já estou cansado, ao fim e ao cabo, das farsas que ele faz, a querer que o diabo me leve o que ele traz, ele que é um amigo de Sao Satanás, entenda o que eu digo: Eu já estou cansado! Sem aviso prévio, ó Fernanda, prive-o de ser contestado! Retire-o do Estado! Torne-o bem privado!

Ó Fernanda, leve-o! Traga-nos alívio! Tenha-o só num pátio para o seu convívio! Ó Fernanda, trate-o! Ó Fernanda, amanse-o! Ó Fernanda, ate-o! Ó Fernanda, canse-o!”

por Euleriano Ponati, poeta não titular

Podem sair

Publicada por Marinho On 5.6.09 0 comentários

 

Lapidar lapidarum est. Aqui está, com todos os matadores e em versão turbo, como as licenciaturas domingueiras. Resta lembrar que o Ministério da Educação é o Ministério que tem o futuro nas mãos. Está com umas cores lindas, está…

“Podem sair” 

“A herança que a actual equipa do Ministério da Educação vai deixar é bem pesadaAgora que o tempo de exames está a chegar, a pergunta “Para que servem os exames?” foi colocada pelo Guia do Estudante, distribuído com o Expresso de 29 de Maio, à dr.ª Leonor Santos, que é apelidada de “uma das maiores especialistas em avaliação das aprendizagens” e apresentada como coordenadora científica do Mestrado em Desenvolvimento Curricular na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Que resposta dá essa especialista à pergunta? Num estilo socrático (o do pensador grego, não haja confusões), responde com uma outra pergunta: “Os exames têm por função seriar. Mas até que ponto é que essa seriação permite ter alguma confiança?” Conforme o lead resume, a entrevistada “questiona, ponto por maria Lurdes Rodrigues faponto, os pressupostos que sustentam a existência de exames, tal como os conhecemos actualmente”. Um estudante que consulte o Guia para obter informações sobre os exames e a melhor maneira de os preparar ficará decerto confundido ao ser informado de que eles afinal não servem para nada, uma vez que não se pode confiar nos seus resultados. E, se pouca vontade tinha de estudar, fica logo sem nenhuma. Por seu lado, a política ministerial de desvalorizar os exames encontra, vinda de uma autoridade académica, uma sustentação teórica. Imagino que o referido mestrado seja frequentado por técnicos do Ministério da Educação…
O leitor benévolo poderá pensar que, embora da autoria de uma académica, se trata de uma opinião frívola de fim-de-semana. Pois nem isso. O jornalista informa-nos que a entrevistada “sentiu necessidade de impor a si própria que jamais trabalharia ao domingo. E, ao sétimo dia, aproveita para jogar golfe e tentar melhorar o seu actual handicap de 22 pancadas”. Para que serve o handicap? Serve para fornecer uma seriação dos jogadores conforme o seu desempenho. Essa seriação permite medir o desenvolvimento realizado e proporciona aos jogadores metas a atingir. Fiquei a pensar se o progresso desportivo que a referida professora justamente ambiciona não terá alguma semelhança com o progresso escolar que os alunos, em geral, perseguem. E também se o treino que é absolutamente necessário para melhorar no desporto, salvaguardadas as devidas diferenças, não será comparável com o estudo que é indispensável para passar num exame.
O Ministério da Educação, com a maioria do seu pessoal formado por uma cartilha pseudopedagógica, dá a ideia de que não sabe para que servem os exames. Não existem verdadeiros exames nos primeiros nove anos de escolaridade uma vez que as chamadas provas de aferição não o são (”aferição” é eduquês puro!). Os exames finais do ensino básico, restritos a duas disciplinas e “bué” de fáceis, podem, mesmo assim, ser substituídos pela via das Novas Oportunidades, com a avaliação limitada a uma “história de vida” e, portanto, de uma banalidade escandalosa. E também os exames no final do secundário podem ser substituídos por provas para maiores de 23 anos de acesso ao ensino superior, onde a fasquia é baixa porque algumas instituições, com a corda na garganta, escancaram as portas com provas que de exame só têm o nome. Que haja alunos que ainda estudem alguma coisa não pode deixar de suscitar a nossa admiração.
A herança que a actual equipa do Ministério da Educação vai deixar é bem pesada. O pior de tudo não foi, porém, a continuada desvalorização do conhecimento, e do esforço que é preciso para o adquirir, na ilusão de disfarçar estatísticas que nos envergonham. Foi o apoucamento dos professores, que causou um dano grave na educação que vai levar anos a sarar. Para degradar o papel dos professores o ministério não se contentou com a sr.ª D. Margarida Moreira, o Magalhães e a avaliação “simplex”. Também criou o Manual do Aplicador das provas de aferição, que achincalha o corpo docente de uma maneira que ultrapassa o imaginável. Os professores têm de ler aos alunos: “Podem sair.” Como eu compreendo aqueles a quem apetece aplicar essa frase do Manual à equipa que escreveu e divulgou tal documento!”

 Carlos Fiolhais, no Público de 5 de Junho de 2009

Educação Sexual, é mesmo preciso?

Publicada por Marinho On 31.5.09 0 comentários

Não resisti a pilhar isto daqui, primeiro, porque o gajo escreve bem p’a caroço, segundo, porque hoje é domingo e é dia de roubar fruta. Terceiro, porque com este calor e as mamas, rabos e umbigos que andam por aí, só se consegue pensar em educação sexual.

Quem protege os jovens da protecmanixcondomsvideo_1ção? 

“Diz o lugar-comum que a adolescência é uma época de descobertas. O lugar-comum é muito vago. Dá a entender que são descobertas como as dos nossos navegadores, aventurosas e excitantes. Não são. São descobertas maçadoras. Do top das descobertas da minha adolescência, destaco a vez em que descobri uma borbulha no nariz. A vez em que descobri uma borbulha no queixo. Não esquecer também a vez em que descobri uma borbulha no nariz e outra no queixo. Ou quando descobri que a minha voz não era bem minha: às vezes era de um senhor que bebia muito bagaço, às vezes de uma menina de cinco anos. Com borbulhas.
Mesmo as descobertas agradáveis só o foram por alguns instantes. Perto dos 14 anos, descobri o sexo e fiquei maravilhado. O êxtase durou três minutos, que foi o tempo que levei a descobrir que, sim, existia o sexo, mas tão depressa eu não o ia desfrutar (obrigado, Ana, por teres sido tão clara). Portanto, perto dos 14 anos e três minutos descobri que a adolescência ia ser penosa. Ainda bem que, nessa altura, não se punha a hipótese de haver uma máquina de preservativos na escola. Só ia servir para me lembrar o que andava a perder. Os meus amigos a gastar a semanada em contracepção e eu a esbanjá-la em gordurentos croissants mistos. Que causariam a acne que me afastaria ainda mais da hipótese de um dia vir a iniciar-me sexualmente.
Para uma data de borbulhentos juvenis, disponibilizar preservativos na escola é como dar bons bifes a velhinhos sem dentes. É maldade. Para outros, é uma maneira de aumentar a assiduidade. Se, para terem acesso aos preservativos, tiverem de entrar na escola, é possível que, já agora, aproveitem para assistir a umas aulas.
Não foi por não ter acesso a preservativos que eu passei os anos do liceu na mais contrariada virgindade. Foi mesmo porque nenhuma rapariga quis, digamos, ajudar-me. Naquele tempo, tal como os preservativos hoje em dia, as raparigas também estavam disponíveis. Não queriam era nada comigo.
Quem diz que o acesso fácil a preservativos é um convite ao sexo não conhece adolescentes, indivíduos naturalmente mal-educados que não precisam de ser convidados para fazer seja o que for. Além disso, é preciso dizer que passei a adolescência com um preservativo na carteira e nunca aconteceu nada. Minto: não foi um, foram vários. Acompanharam-me à medida que fui perdendo a esperança e eles a validade. Sentia-me como um tipo que levava um par de esquis para o deserto, na expectativa de que, um dia, quem sabe, nevasse nas dunas.
Tinha um preservativo para a eventualidade de deixar, de um momento para o outro, de ser um adolescente esquisito de quem as raparigas só queriam ser amigas. O látex era só a minha segunda barreira de segurança. A primeira era o facto de eu ser tão choninhas.
Nunca é demais insistir na segurança que um preservativo confere a quem tem relações sexuais. E não só. Mesmo a quem não as tem. Durante a puberdade, tive sempre o tal preservativo no bolso das calças e a verdade é que não apanhei nada. Nem um esquentamento, nem uma gravidez indesejada. Nem um reconfortante tapinha nas costas, a desculpar precipitada e insuficiente performance. Coincidência? É provável que sim.
É por me lembrar dessa altura que tenho pena dos miúdos que vão passar pelas máquinas de preservativos, todos os dias, sem precisar de as usar. Não estão protegidos contra a protecção. Quem não fizer uma compra amiúde vai ser gozado. Por não gozar. O melhor é ir adquirindo alguns, de vez em quando, para disfarçar. A princípio não vão ter uso para eles. Mas no Carnaval vão dar vazão. Como balões de água, claro. Isto não é o Brasil, onde até um choninhas se safa no Carnaval.”

 

Publicado em 31.05.2009, por José Diogo Quintela, no Público

Esta é a minha gera!

Publicada por Marinho On 24.5.09 0 comentários
Ao domingo, dá-me para roubar fruta. Por isso, ao passar nas hortas dos vizinhos, tunga!, venha de lá mais um cacho de boa prosa.

A Minha Escola

"Eu andei sempre na escola pública. Tive bons colegas e maus colegas. Ricos e pobres. Limpos e sujos. Espertos e preguiçosos. Sou do tempo em que ainda havia a escola primária e o ciclo, em que havia furos e sempre que um professor faltava ficávamos por ali a deambular, em que os currículos não eram enriquecidos e não havia ninguém para me orientar o estudo. As coisas eram o que eram. Havia bons alunos e maus alunos e alunos médios. Havia os que já sabiam o que queriam ser quando fossem grandes, havia os que queriam ir para a universidade e os que se ficavam pelo caminho. Sem dramas. Havia chumbos e não havia cá recuperações nem programas especiais. Tive colegas que deixaram a escola no oitavo ano para se juntarem com o namorado, para terem filhos, para irem trabalhar numa oficina. Eu sou do tempo em que o balneário do ginásio tinha duche colectivo e quando as meninas estavam com o período pediam dispensa da ginástica ao professor porque não sabiam muito bem como resolver a coisa. Sou do tempo em que nas aulas de trabalhos manuais aprendíamos a fazer macramé e fada-do-lar (lembram-se?), em que fazíamos bonecos horrorosos em barro e chaveiros de madeira. Não tínhamos disciplinas com nomes pomposos mas aprendíamos a escrever à máquina e a redigir cartas comerciais. Os testes eram dados em stencil e, com sorte, nas aulas havia uns acetatos manhosos projectados no quadro. Fazíamos trabalhos de grupo, em cartolinas ou em folhas A4 escritas à mão - não havia internet nem copy-paste, era preciso ler livros e copiar letra a letra (e enquanto líamos e escrevíamos e passávamos a limpo e tudo isso, alguma coisa ia ficando na cabeça). Eu tive bons professores e maus professores. Péssimos e excelentes. Tive professores apaixonados, que não se limitavam a dar matéria, que não se limitavam à matéria. E tive professores que não faziam a mínima ideia do que estavam a ensinar (para terem uma ideia um dos meus professores de biologia é hoje, na mesma escola, professor de culinária). Tive professores que não sabiam domar as feras de doze anos, que eram gozados e aldrabados, que tinham alcunhas feias e que, se fosse hoje, teriam as aulas no youtube para serem criticados pelo país inteiro e quem sabe até com direito a processos disciplinares. Tive professores na faculdade que de doutores só tinham o nome, que se estavam a marimbar para nós, que não davam as aulas ou que só queriam que nós os ajudássemos a fazer investigação para as suas teses de doutoramento.
A minha escola tinha problemas, pois tinha, mas não foi nada disso que me fez ser pior pessoa ou mais burra ou mais inculta ou mais mal educada. Porque o mais importante da educação não vem da escola, vem de casa. O mais importante de tudo foi o que os meus pais me ensinaram. Uma ética que me fez ir sempre às aulas, que me coibia de cabular, que me fazia estudar sem ser obrigada (porque esse era o meu trabalho e porque ainda acreditávamos todos que o bom trabalho seria recompensado). Um brio que me fazia querer fazer as coisas bem feitas, ir para além da mediania, dar o máximo. Uma curiosidade que me fazia querer saber mais, não ficar só a a marrar para os testes mas gostar realmente de aprender. Sem isto, a escola até pode ser a melhor do mundo, ter milhares de magalhães e quadros interactivos, ter professores com a papelada toda em dia e currículos muito bonitos. Mas não adianta nada."

Publicado por Gata, no A Gata Christie, em 20/05/09

Foleiros & Doutores

Publicada por Marinho On 14.5.09 1 comentários

Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).

Manuel António Pina, no JN - 11/05/2009

    Visa Drone

    Orquestrada - Oxalá Te Veja