INFÂNCIA#1

Publicada por Marinho em 29 - Mar - 2009

Uma infância feliz dura a vida inteira

RECREIO

Publicada por Marinho em 31 - Mar - 2009

Recreius Vulgaris numa Escola Masculina

HI-TECH 1

Publicada por Marinho em 6 - Abr - 2009

Às armas

HI-TECH 2

Publicada por Marinho em 8 - Abr -2009

Caça grossa

Vick e o Grande Rapto

Publicada por Marinho em 9 - Abr - 2009

Actividades de tempos livres

OMOMV, o Planeta Rock

Publicada por Marinho em 15 - Abr - 2009

Eu, com o casaco assertoado do casamento do meu pai, o Slowhand e su camisa blanca, os outros, pelo menos penteados iam, o Rollerando a cavalgar o bacalhau e o Violinha a olhar para cima, concentrado, a ver se ouvia algum helicóptero

Strange, o Plutão do Rock

Publicada por Marinho em 16 - Abr - 2009

O sucesso dos OMOMV, apesar de meteórico e sobretudo metafórico, deixou-nos inebriados. Afinal aquilo de ser rockstar não tinha nada que saber: um par de tintins, uma cena qualquer na mão para não coçar os tintins, uma grade de minis e duas charruas.

Deixem jogar o Mantorras!

Publicada por Marinho On 9.4.09 0 comentários
Outro Para o Movimento

Temos que convidar o gajo para o próximo encontro. "Arranja-me um emprego, pode ser na tua Fundação, meu grande ...brão. Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa com certeza, eu ficava no ripanço e p'ra ti era um descanso".
Poezia Intér Activia - "Quem é que não está a jogar?"

Olha aí mais uma cassette

Publicada por Marinho On 9.4.09 0 comentários
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Uns sonzinhos do sótão da new wave.

É aquela, men

Publicada por Marinho On 8.4.09 0 comentários
Há bocado estava a ouvir o Socras ao som do Parliament, e veio-me à memória um men que andou a tentar aprender a guitarrar com o Alvin Lee Dutch de Tomar. O PBzana, remember? O rapaz, volumoso, era pouco denso ao nível das ideias e o Dutch chegou a dizer que ele teria mais dificuldades em aprender a tocar bem do que o cão que tinha em casa. Ora o Socras trouxe-mo à RAM precisamente por essa ausência de densidade de pensamento que permite aos políticos manterem-se à tona no lamaçal. O PB, tal como aquele de quem não se pode dizer o nome, era capaz de manter uma conversa, mesmo uma discussão fosse ela amorosa ou técnica, recorrendo apenas a duas expressões: "é aquela!" e "é um flash!". Quando estava mais criativo juntava a palavra "men". Era um flash falar com ele.
Já viram que esta gaja está quase tão conservada como nós? Garina mawuka!


Nina Hagen & Apocalyptica - Seeman

Eu é que sou o Berzidente!

Publicada por Marinho On 8.4.09 0 comentários
Mais um para o movimento

Vareta a Berzidente

Pela clarividência e dúvida sistémica que coloca, vale a pena ler esta penada. Vareta a presidente, já! Iniciemos o movimento IPSMMD e tomemos conta do mundo. Comecemos por candidatar e eleger alguns de nós para o Parlamento Europeu, só para ganhar um bocadinho de sarro político. Depois, proponhamos Bob o Construtor ("quem é o Bob?") para presidente da Comissão Europeia. Podemos ainda fazer uma barrela ao Vital Moreira com couves de bruxelas e cola UHU. E finalmente, cereja pendurada na orelha, elevemos o Vareta a Grande Líder Espiritual dos Mamíferos na Boínha, Sua Majestática Figura, Kim Il Varesung. Amen, man.

Se eles ainda fossem assim...

Publicada por Marinho On 8.4.09 0 comentários


"Eh pá, deixa-me ir contigo que eu tenho um convite para a imprensa"(LuísMiguel)

Hi-Tech em pontas

Publicada por Marinho On 8.4.09 1 comentários

Armas #2

Conforme já superiormente relatou o nosso confrade Ze Libanho, o relacionamento do ppl com os pássaros foi sempre um bocado turbulento (Bum!). Mais pequenos, conseguíamos abater alguns à calhoada, actividade incluída no treino militar para os confrontos reais.

Todavia, ir à caça foi algo que só fizemos uma vez. Naquele domingo soalheiro e morno em que a cidade já não nos podia ver, decidimos combinar uma caçada na machamba do Juka: uma adega isolada e confortável no meio de um bom pedaço de campo, preparada para esquemas mais adultos que os nossos da época. Kalí, Fak’s, Ouribélix, Ssekou, Bazinho, Juka e Je, lá fomos de arma às costas pela encosta acima (bem à vontade, 5 Km a penates, sempre a subir; poucos aditivos, havia crise, só 2 ou 3 zurguitas). Eu não tinha arma mas a generosidade dos capangas permitia-me esticar o gatilho. Durante o caminho, arrebentámos logo 2 das zurguitas, gastámos quase uma caixa de chumbos a atirar aqui e ali e matámos um pássaro que já devia estar morto.

Chegados ao objectivo, repousámos brevemente enquanto se acabava com o sofrimento de haver pouca zurga. Comemos farnel e pusemo-nos a caçar pássaros (não me lembro do que levava, mas lembro-me que o Kalí, que era o poste-alto da pandilha, descobriu numa prateleira um frasquinho com queijos do pai do Juka ; apesar dos protestos do herdeiro, num prenúncio das desgraças que lhe aconteceriam em Torremolinos, os queijos souberam-nos muito bem).
Mas os pássaros, ou por estarem todos a voar ou a ver a Gabriela, não eram nada colaborantes nem visíveis e nós estávamos a precisar de Visadron. Frustração puxa frustração que, por sua vez, apela à imaginação doentia e, plim! alguém teve a ideia luminosa e salvadora: ” – But’aí fazer uma cena tipo índios e cóbois, djôs!
– Ya, men, altamente. Já ‘tou farto de andar a micar os cabrões dos pássaros.
– Fixe! Ok, uns vão defender a adega, tipo o forte, ‘tázaver men? Os outros são os assaltantes.
– Ya, e quem ganhar come o resto dos queijos!

Eu fiquei do lado dos sitiados, com o Juka, o Ssekou e o Bazinho. O poder de fogo e os movimentos concertados dos assaltantes, a dificuldade em obedecer a um comandante tão estridente como o Juka e o facto de não ter arma, levaram a refugiar-me dentro do forte na perspectiva de ainda haver algumas aparas de queijo, no que fui rapidamente acompanhado pelos restantes resistentes. Calmamente sentados enquanto o Juka e o Bazinho, cada um à sua maneira (o Juka a desatinar em italiano e o Bazinho a fazer rir o pessoal com os sons que emitia) defendiam o castelo, o Ssekou e eu preparávamo-nos para fumar um SG Ventil a meolas. O Juka começou a destinar largo com o Ssekou: “És um frouxo, coglione! Dá uns tiros caralho! Foda-se, só vêm aqui para comer ou o caralho!” O Ssekou passou-se e levantou-se para o ir abanar. Nesse momento, os invasores já estavam muito próximos e o Kalí, num momento de rara inspiração, disparou um tiro contra a porta de ferro da adega. O chumbo ricocheteou e foi-se cravar bem no meio da testa do furioso Ssekou, que levou a mão à fronte, levou 5 segundos a perceber o que se passou e atirou-se para trás em estado cósmico. Eu gritei que havia feridos, o Juka gritou ainda mais alto, mas a gente não percebia nada de italiano.

– Parem lá com essa merda! O Ssekou levou um tiro nos cornos, men! – As gargalhadas irromperam acompanhadas do som de vidros partidos: a última janela intacta da adega acabava de ir para o galheiro. Se calhar era por isso que o Juka estava nervoso. E por causa dos queijos.
– Caguei nessa merda! Rendem-se ou não? – Vociferava o Kalí. Depois de terem verificado que a aflição era genuína, os assaltantes, sem pararem de se rir, inteiraram-se do estado da vítima, genuinamente pálida e com uma bela incrustação metálica emoldurada por um inchaço numismático. Todos, menos o Ouribélix, que tinha aproveitado a guerra no campo para fazer uma cagada ecológica. Quando ele se aproximou do objectivo, furtivamente, sem saber dos últimos desenvolvimentos, deparou com o Juka, de costas, à entrada da adega. Mira alçada e chumbada na peida!
– Aiiiii! Quem é que foi o cabrão? Foda-se pá, então tu não vês que já estamos parados? E disparas pelas costas? Foda-se! – O Ouribélix, que sempre foi um gajo com um fair-play do tamanho do seu coração, calmamente, disse-lhe: – Vira-te lá! – E o Juka virou-se, pronto para despejar mais meia-dúzia de pragas italianas. Tau! Mais uma chumbada na canela magrinha.
– Pronto, esta agora valeu! - disse o Ouribélix convictamente.

Foi difícil fazer com que o Juka aceitasse desculpas e convencer o Ssekou que aquela medalha no meio da testa mal se notava, mas depois de vários avanços e recuos, e sob ameaça do Ouribélix de que ia começar a fazer tiro ao alvo com as garrafas de colecção do pai do Juka, lá se chegou a entendimento e regressámos ao divertimento de nos chumbarmos uns aos outros. Parecia que estávamos a brincar aos professores! Como andávamos por perto da Mata (também há-de merecer capítulo), alguém descobriu o tipo de actividade que vínhamos a desenvolver e foi já com as fileiras engrossadas pelo Meká e mais uns gajos que não recordo (o Mertolas também apareceu por lá, acho) que continuámos o nosso dia de caça. O Kalí aproveitou para dar mais dois tiros nas costas do Juka, um dos quais lhe furou a camisa de cetim.

Quando um carro se começou a aproximar e verificámos que era o do pai do Juka, educadamente, escondemo-nos e fugimos rapidamente dali para fora. Todos, menos o Juka,. Face ao rasto de destruição e ao facto de na altura ainda não se acreditar muito em ET’s, teve dificuldade em explicar o que se passara sem que o pai se passasse. Foi bem feito! Ninguém o mandou ficar armado em invejoso dentro da adega a guardar as garrafinhas do pai.

Ailooo....Ailoooo

Publicada por Marinho On 7.4.09 3 comentários
Dedicada ao men que torcia os pés quando fumava música demais

Stink-Foot.mp3

A bola era minhaaa....

Publicada por Marinho On 7.4.09 0 comentários
White Punks on Dop...


Cascais 75
Alvalade 80?

Aquilo nos concertos é só droga!

Hi-Tech

Publicada por Marinho On 6.4.09 2 comentários

Armas #1

As primeiras armas conhecidas e por nós utilizadas nos primórdios da evolução foram os calhaus. Tínhamos a sorte de esse ser um recurso vasto e à discrição. Também tínhamos o espaço necessário e suficiente para acertar apenas 1 em cada 20 tentativas, mas quando tal sucedia, o espectáculo de dor e lágrimas valia o esforço despendido. O Raúl, que era o mais desajeitado em tudo o que metesse corrida e coordenação motora, era o mais temível na calhoada: o quintal tinha o nome dele e as pedras pareciam que obedeciam melhor a ele do que a nós.

Mas o progresso é o progresso, e rapidamente as pressões de ar impuseram a sua força letal. Nunca tive nenhuma, mas já se sabia que naquilo que cada um tinha todos podiam mexer. Dei poucos tiros, mas todos foram bem dados e ficaram gravados em mim como ficaram na testa do Ssekou. O primeiro contacto com esta tecnologia de ponta deu-se no seguimento da primeira viagem do Kalí à América, que para nós era mais importante do que a ida do homem à Lua (foi no mesmo ano, não?). O gajo trouxe algo de maravilhoso, que nunca mais vi, e que faria os meus filhos beijarem-me os pés se lhes oferecesse uma cena dessas: um Colt 45 pressão de ar. Já não me lembro do calibre do chumbo, mas recordo-me que dava para disparar uns 4 tiros seguidos e imaginem o poder que transmitia a putos de 8 ou 9 anos. Rapidamente aquela arma se tornou o nosso totem e andávamos todos em séquito atrás do Kalí, à babuje para dar um tirinho. Claro que uma arma daquelas não servia para a caça, servia para a guerra. Todos os bandos de putos tinham o seu território e o seu Centro de Comando: a cabana. Os assaltos eram frequentes e geralmente arrasadores, e nos intervalos dos jogos de futebol que marcávamos para ver quem é que era mesmo homem, desenvolviam-se diversas missões de retaliação e punição.

Um dia, depois de termos executado com sucesso uma acção de desactivação da base dos salazaristas, quando estávamos a festejar o êxito em casa do Janita (bolos à discrição, man), um dos nossos informadores veio-nos avisar que estávamos a ser invadidos pelo bando do Martelo, Teodoro, Pilas e Trovoada. Eram mais, maiores e sem cultura suficiente para negociarmos saídas diplomáticas. Era pá porrada, portanto. Ainda por cima estávamos deslocados dos nossos pontos estratégicos de defesa que permitiam fazer barragens de artilharia contra os invasores (tínhamos o Raúl, caroço!). Mas, o saber e o conhecimento é que fazem avançar as civilizações, e nós tínhamos a Bomba P! Avançámos de encontro aos inimigos semi-confiados no efeito dissuasor do nosso arsenal. Quando os avistámos, alguns 15 trogloditas, ao pé da casa da avó do Chico Faia, a nossa coragem refugiou-se por trás do Kalí: era o mais alto e tinha a arma secreta.
– Então foram vocês que nos partiram a cabana toda? – rugiu o Martelo.
– Nós!? Tu és é palerma! Nós ‘távamos em casa do Janita Stars a comer bolos! Vocês é que entraram aqui onde a gente manda, sem pedir.
– Não sejas mentiroso, copinho-de-leite. Agora vão levar na tromba que é para aprender!
– Mãos ao ar, ou levas um tiro! – ameaçou o Kalí, já com o canhangulo na mão.
Passado o primeiro instante de surpresa (a cara do Pilas a olhar para a arma faz-me sempre lembrar os macacos do 2001 Odisseia no Espaço), o Martelo deu uma gargalhadinha tímida e desconfiada – Eh eh! Isso é o quê, uma pistola de água ou fulminantes? – Os animais que o acompanhavam riram-se da graçola.
– Oh pá, isto é uma pistola a sério, e já te disse para pores as mãos no ar senão furo-te todo, caralho!
– Eu é que te vou furar o nariz, menino-da-mamã! – disse o Martelo enquanto avançava para cima de nós. Convém aqui dizer, que nessa época, para o pessoal enrijar o coiro, usavam-se calções assim que apareciam os primeiros cheiros de Primavera. Quando o Martelo sentiu o primeiro chumbo a passar-lhe perto, notou-se uma certa dúvida filosófica na hesitação que o fez travar o ataque. Quando começou a ganir depois de levar uma chumbada na perna, os mais ilustrados de nós sentiram que aquele gajo, se aprendesse a ler, ainda poderia chegar a filósofo, ou pelo menos engenheiro técnico. A retirada desordenada que se seguiu permitiu-nos cantar vitória pela 2ª vez naquele dia, e ir festejar comendo o resto dos bolos em casa do Janita. Mas os adversários eram insistentes e voltaram a tentar atacar os nossos domínios. Traziam reforços e fisgas. Só que aí bastou pormo-nos à janela do Janita, com o pau da bandeira do União a apontar, e a gritar – a seguir é de caçadeira! – Ajudados pelo efeito de som providenciado pelo rebentamento de um saco de plástico, foi hilariante ver os mitras a correrem todos cagados de aflição à espera da chumbada mortal.
Naquele momento revelou-se para nós uma verdade fundamental: a ditadura do proletariado nunca haveria de chegar.

But´aí fazer um!

Publicada por Marinho On 5.4.09 4 comentários

Eh pá, ouve lá esta!

A música foi uma das senhas para a formação deste clube de sábios. Quando o Fak’s irrompeu no nosso território, eu acabara de receber o meu primeiro choque tecnológico, que teve um impacto que tomara qualquer Magalhães: um rádio-leitor de cassettes AIWA que haveria de me/nos acompanhar por muitos e bons anos, até ficar abandonado e esquecido no jardim do Hotel, após uma das primeiras raves da história (esplendor na relva). Por essa altura, com 13 anos, o que de mais moderno eu ouvia era Suzi Quatro, Abba e Beatles e entretinha-me a passar uma cassette de Demis Roussos do meu pai, em volume máximo, para tentar impressionar a vizinha da frente.

Foi pois o meu dilecto vizinho quem me introduziu no consumo das descargas eléctricas do rock tip top que ele já dispunha: Deep Purple, “Made in Japan”, foi o cotonete mais marcante. Dois discos, dois!, de energia visceral e que respondiam aquela comichão no céu-da-boca que a adolescência desperta. Aquilo é que era música! Para além de nos entrar pelos ouvidos directamente para a corrente sanguínea, deixava os outros (pais e demais adultos, queques e normalóides) horrorizados. Como terá acontecido com milhares de outros guitarristas, os acordes do Smoke on the Water, também foram o click que levou o Pekos Bill a pegar na viola e a transformar-se no nosso Mick Jones. Com o regresso do Major Alvega da sua incursão pela Escola da Tropa, vieram mais algumas novidades: Pink Floyd, Bob Seger (disco amarelo), Zappa e outras potências.

A abertura de duas lojas com discoteca (Discal, Mescla) funcionava como a nossa internet: passávamos horas a ver e ouvir discos, utilizando diversos estratagemas para não correrem connosco, sendo o mais habitual perguntar se já tinham o último disco dos Ledz Blind, ou o single dos Strass Kna. – Quem?! – dizia a atrapalhada funcionária. – Os Lebz Brind! Não sabe? Então deixe estar que nós vamos procurar...

E procurávamos, conhecíamos aquela discoteca melhor que os próprios proprietários. Ainda tentámos banhar alguns, mas o tamanho do vinil não se prestava. O mais que conseguíamos fazer era ir descortando alguns para sítios em que sabíamos que ninguém os procuraria, à espera da próxima semanada, de um golpe de sorte ou do Natal.

A nossa música era partilhada entre todos (e partida também: o meu Gary Numan ficou com uma dentada causada por muito fumo nas mãos do PM), tal como partilhávamos os cigarros e as charruas. As sessões de audição quimicamente potenciada repartiam-se entre os enevoados quartos do Fak’s e do Kali, e as músicas eram exaustivamente escalpelizadas e trabalhadas com boas misturas. Só o ZC, que sofria do síndrome do zapping, não nos deixava ouvir música nenhuma até ao fim. Eh pá, ouve lá esta!

Os discos eram algo de valioso e representavam tanto de nós como os Hi5 de hoje. Mostra-me que música ouves e eu dir-te-ei o que tu és. Conhecíamo-los intimamente e havia uma faixa para tudo: para abrir, para aquecer, para deprimir, para dormir, para revoltar, para sacar a bruna... Tornámo-nos especialistas em avaliar a qualidade da prensagem, regular os pesos da agulha para evitar os saltos, dar a porradinha certa para saltar o risco, em conseguir o overclocking das nossas fraquinhas Waltham até elas vomitarem o melhor som possível. “A música era o ar e respirávamos pelos ouvidos” (Música&Som, reportagem sobre o concerto do Animals dos Pink).

À pala do pai do Fak’s, que era muito à frente, descobrimos que o Jazz podia conter os baixos poderosos que nós adorávamos. Os Weather Report ainda hoje me batem nas veias e abriram-nos o ouvido para outras sonoridades, Jan Akkerman à cabeça. Depois, o Fak’s que estava sempre em cima do hype, falou-nos nuns maluquiens que começavam a atacar na GB: os punks. Os Sex Pistols faziam-nos rir, mas os Ramones já começavam a dominar as nossas playlists de Verão.

O Kali, porque já era mais cota (hehehehe), já ia ao 2000 enquanto nós ainda nos ficávamos pelos ensaios para conseguir ir às matinées da Fera aka Marino’s Club. Mas à falta do guito e do anonimato necessário para não nos descobrirem a menoridade, criávamos os nossos próprios lounge’s: a garagem do Ssekou foi o primeiro spot, o primeiro covil. Depois de pintadas as paredes e de se confirmar que o chichon fazia mexer os graffitis janados que tínhamos vertido, marcou-se a primeira de muitas festas. Aparelhagem carregada em braços, namoradas e contróis sacados, luzes apagadas, Finch no prato, e iniciem-se as descobertas.

A seguir ao punk, veio a new wave, que nos bateu com força. O Fak’s resistiu melhor ao assalto da electrónica, e ainda hoje é o mais eléctrico e analógico de nós. Mais, é o único que sabe fazer a sua própria electricidade. Ridicularizámos o disco sound e quejandos, mas abrimos ouvidos ao bom funk que começava a rodar (baixos men, baixos). O rock português surgiu essencialmente como oportunidade de ter mais concertos e mais perto: Aqui D’el Rock, Ferro&Fogo, Tantra, Frodo, Hobnob, Trabalhadores do Comércio, foram dos primeiros concertos que vimos, e que serviam de estágio para os verdadeiros, dos monstros (capítulo à parte).

O melhor é que, ainda hoje, no matter the distance or time, continuamos a ter prazer em saber o que é que os outros andam a ouvir, em discutir e partilhar com eles o que descobrimos e nos recordamos. Por isso o próximo desafio é um Podcast. Inscrições para registo de nomes abertas nas lojas da especialidade.

Bom domingo, capangas

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Estamos uns homens!

Publicada por Marinho On 3.4.09 0 comentários
Nós

Quem éramos? Desenhadores de futuros, desbundadores de circunstâncias, inventores de oportunidades. As tecnologias eram incipientes mas aguçavam a industriosidade: poucas horas de televisão, as quais serviam para fazermos o download de ideias para converter no my space das brincadeiras do dia seguinte. Quem não tinha TV (e havia muitos que não tinham) não lhe sentia muito a falta porque aquilo a que se brincava era uma reposição interactiva do que andava a dar ou tinha dado. Ao adaptarmos os “Pequenos Vagabundos”, a “Missão Impossível”, o “Skippy”, transpondo-os para o recreio da escola ou para o nosso campus playground, estávamos a dar a cor e a dimensão que faltava à TV para poder ser real (era a preto e branco, putos). Ao contrário de hoje, em que só é real o que aparece na televisão, in ilo tempore o que aparecia na televisão só era por nós entendido como real se o pudéssemos praticar. Essa operacionalização não era isenta de dificuldades, obrigando-nos a afinar “competências” que, pasme-se, é aquilo que se tenta ensinar hoje na escola (do J.Inf. à Universidade!). Na escola, aprendíamos cultura, conhecimento, os “conteúdos” hoje completamente desvalorizados e secundarizados, tipo saber ler, escrever e contar. No resto do muito tempo que tínhamos, treinávamos as “competências”, por nossa conta e risco, num autodidactismo criativo e saudavelmente contaminado pelas idiossincrasias de cada um de nós.

Esse exercício de competências podia passar por actividades tão diversas como identificar e descobrir os materiais apropriados para fazer de escudos e espadas, pistolas e canhões, adaptá-los e transformá-los, definição das regras do jogo (na qual se verificavam verdadeiras aulas de prática simulada de sistemas políticos: democracia, ditaduras diversas, iluminismo alucinado, autocracias sortidas e regimes musculados, de tudo se experimentava), leitura e desenho de coordenadas cartográficas, camuflagem e agit-prop, retórica discursiva (“ – Eu não estava a roubar fruta!”). Mas também, e principalmente, competências e destrezas físicas: saltar do 2º andar dos prédios em construção, a cores e ao vivo, deixava a “Missão Impossível” no cesto das mariquices; fugir a nó depois de se ter partido alguma coisa; resistência ao choque e capacidade de suportar a dor (inventámos a mosh antes de alguém a sonhar: o Ourx amontoava-nos uns por cima dos outros, geralmente com o cuidado de pôr os mais fortes por baixo, e depois calcava a acumulação de vítimas de cima da sua robustez maciça, até alguém ceder e pedir muita misericórdia); coordenação motora e desenvolvimento da lateralidade e esquema corporal (“ – Cuidado! Olha aí o PM do lado direito!” Se por acaso se olhasse para o lado errado, tunga! levava-se com uma calhoada na mona, e rápida e eficazmente se aprendiam todos os pontos cardeais), etc.
Por isso, como primeiro adjectivo para caracterizar esta bolha de génio humano que é o “NÓS” que nós somos, escolho “competentes”. Olhando para o núcleo duro e resistente do people, esse é o traço que mais bate nas vistas (tunga! “ – Lado DIREITO, tótó!”). Todos mostrámos competências para atravessar, esquivar, iludir, vencer, convencer, esconder, ceder, lutar, controlar, crescer, saltar, enrolar, cair e levantar. Para estar aqui. E criar: não posso disfarçar o orgulho de olhar para a nossa descendência e sentir que continuamos a ter fatias do futuro feitas por pessoas criadas à nossa imagem e semelhança (gostava que Deus fosse vivo para poder ouvir isto...). Miúdos competentes que eles são, caroço! E nós estamos uns homens! (e mulheres também; nem me esqueci, nem sou misógino: as mulheres merecem capítulo à parte)


Haúla Manué, Chanãia Nãia Nã
A Lua Cheia, Que Tanto Me Alumeia...

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O esparguete estava fixe men

Publicada por Marinho On 1.4.09 0 comentários
Panké e prosápia

Voa noite cãobada,

Extou a contare con vossêz todos, ox 200 000 laetores do belogue paraú jantare damanhã. Bai sêre nu Estorante Almourol, a zeguire há Varquinha. Cumessa-çe a cumere a partire das 21.00h. Mas podem bir antes de xegar, par ire bubere ums Martinhis a caza dus Marinhus.
Tilfonem-me a mim carago, par eu mim pôre o jêlo a fazere.
Extô a excruvere eista memsaijem nu Magalhãins du meo filhu. Percebesteis?

Recreio #2

Publicada por Marinho On 1.4.09 0 comentários


...

O Recreio era fonte inesgotável de acontecimentos marcantes na vida de putos de rua, que era o que todos nós éramos, à excepção dos doentes e dos infelizes que andavam na “Escola Paga” e outras mariquices do género.

Fazendo contas, cerca de 10 minutos de aquecimento matinal antes de entrarmos na sala, 30 minutos de Recreio de lei, mais 10 minutos de aperitivo antes do almoço. Depois, dependendo da velocidade com que se conseguia comer e da gestão dos humores familiares, ia-se directinho para o único sítio onde estávamos seguros: na rua.

Assim, a partir das 14.00 e até ser dia, sem telemóveis nem indicações sobre o território a explorar, o maralhal continuava o Recreio. Na verdade, o período da tarde, correspondente ao “vou brincar para a rua”, era o espaço laboratorial e de investigação complementar ao Recreio da escola. O epicentro de toda a manobra do bando era o Quintal do Raúl. Perto de 100m2 de terra batida, contíguo a um vasto olival hoje ocupado por uma importante mancha urbanística. Aquele espaço, altamente infraestruturado, estava preparadíssimo para receber todas as actividades, na altura normais, hoje radicais ou proibidas pela ASAE:

· Mais de 20 metros de muros altos contra os quais o pessoal se espalmava na posição de Cristo à espera dos fuzilamentos decorrentes do jogo do stop (“acerta-lhe nas unhas! Ia c’um catano, ‘tá-te a doer? Agora na cabeçorra!”). Havia corajosos que enfrentavam aquilo de frente, mas só até aparecer alguém com a pontaria afinada. Não era difícil porque treinávamos muito.

· Um generoso recinto desimpedido, plano com algumas rugosidades, ideal para a prática de futebol e outros desportos em que o pó levantado ou a lama aderente contribuíam para o aumento da experiência extra-sensorial da sarrafada. Este terreno era multifunções e estava excelentemente equipado com calhaus de todos os tamanhos e feitios, paus de afiados a grossos, e mesmo alguma tecnologia de ponta reciclada do lixo que já começava a surgir: platex (para as cabanas), pedaços de ferro, arames, pregos... Tudo muito orgânico, como orgânicas (por causa do sangue) eram as épicas batalhas de calhoada entre equipas, as sessões de esgrima futurista, ou a resolução à pêra, à calhoada e à paulada das dúvidas técnicas acerca de quem é que tinha visto quem primeiro quando jogávamos ao Ju.

· Árvores, muitas árvores, ideais para fazerem de baliza, trapézio, quartel, alvo, casa, esconderijo... Um dia arrancaram-nas, todas. Habituado a estar rodeado da segurança de todos aqueles braços, o mundo pareceu-me muito maior e eu bastante mais pequeno. As árvores foram abatidas mas não foram logo recolhidas, ficaram a despedir-se de nós mais umas largas semanas. Aproveitámo-las como nunca e brincámos até à exaustão, explorando todo um mundo de novas oportunidades (HÃ? Oportunidades o quê? O Sócrates o quê? A brincar com o PM?! Vai já tudo prezo! Tou de olho em vocêses!) que aquele exército caído nos oferecia. Passados uns tempos, começaram movimentações que prenunciavam a construção de prédios e mais uma rua. Exactamente em cima daquilo que era o nosso bosque, a nossa almofada de segurança face às ameaças dos bandos limítrofes (o do Pilas e dos Teodoros, do Bairro; o do Campo do Vitória). Geoestratégicamente ficámos muito mais vulneráveis, mas por outro lado, os horizontes alargavam-se. Ainda revoltados por estarmos a ser espoliados pelo progresso, como crianças que não foram trabalhadas nas áreas expressivas, entendemos afirmar politicamente o nosso descontentamento. Assim, coube ao nosso chefe da segurança, o Ourbélix, disparar um tiro de protesto contra a invasão do cimento. Armou a bazuca integrada no seu braço direito, e largou uma morteirada de pedra para aí com 1Kg. O meteorito cruzou os ares, atravessou a rua que se estava a desenhar, e foi aterrar direitinho no telhado da casa da Adriana (“ – o qu’é que o Ginja te fez? – Fez-me assim... e deu-me uma esferográfica”). O buraco no telhado era bem visível e o grito da mãe da Adriana também quase que se conseguiu ver. Soubemos posteriormente que o calhau aterrou directamente no lava-louça da senhora, o que aumentou os estragos. Enquanto dávamos à soleta (altamente treinados, não esquecer) rindo como uns perdidos, ia germinando em nós, sem o sabermos, o húmus onde se implantaria a corrente pragmático-hedonista trazida pelo ideólogo que se avizinhava, o Herr Doctor Pek’s Van Fak’s, resumida numa ideia-chave: “isto para correr bem a uns tem que correr mal aos outros”, convertida mais tarde em “solta o bouki” e imortalizada pelos GNR com “atira-me água fria”.

E o people? Quem era o people do meu block, yo? Começando pelos mais velhos: o Marujo, que baicou numa exibição de ginástica no Pavilhão por ter caído fora do colchão, e que nos iniciou no mundo competitivo organizado. Faziam-se provas de corrida simples à volta do quarteirão, individual e estafetas, e corrida com aro de bicicleta. Era tudo minuciosamente cronometrado com o despertador da mãe do Marujo. Também havia o Z Boitista, que só fazia merda e era o que atirava mais a doer no stop. Mas estes duraram pouco tempo. E depois havia o alfobre daquilo que hoje é um dos think-tank mais esperançosos para o futuro da indústria cervejeira: nós...

...


Pessoa...

Publicada por amarelo On 31.3.09 3 comentários
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

(Fernando Pessoa)

O Gajo 'Tá Grande, Pá

Publicada por Marinho On 31.3.09 0 comentários

Delay Effects With Afection

(fade in).... Happy happy happy birthday, happy happy (delay) (very delayed) (sleeping)... TO YOU! (fade out)

Temos muitas saudades de ti e não é só por saberes fazer sushi. Saudades, brother. Até breve. E os coureanhos, já é oficial?

    Visa Drone

    Orquestrada - Oxalá Te Veja